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Conto #11 - O coração delator (Edgar Allan Poe, EUA, 1843)

Neste conto-confissão de Poe, a aproximação do leitor é feita através da interlocução "direta" na qual o narrador refere-se explicitamente aos leitores várias vezes, inclusive insistindo que não é louco - apesar de planejar matar alguém por causa do olho. Sim, o olho da vítima (um velho) era demoníaco, azul-pálido, parecido com o de um abutre por causa de uma catarata.  Mas após cometer o crime perfeito, segundo o narrador, o coração da vítima continua a bater, apesar do cadáver cortado em pedaços.
(Onde ler: O escaravelho de ouro e outras histórias, Edgar Allan Poe, Editora L&PM, 2010)

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Conto #4 - A ilha ao meio-dia (Julio Cortázar, Argentina, 1966)

Aqui, a força motriz do estranhamento de Cortázar não subutiliza o rompimento da ordem natural, ou seja, não há criaturas mágicas, desordem fantasiosa ou mundos imaginários. O realismo fantástico está na obsessão aparentemente sem motivo do personagem por uma pequena ilha grega cuja forma lembra uma tartaruga. Mas o desfecho, embora ainda mantenha a verosimilhança, sugere que talvez nossas vidas não sejam simplesmente regidas pelo "acaso". A sensação após a leitura do conto é de uma obra cuja narrativa é completa, sem arestas, sem irregularidades, (Onde ler:  Todos os fogos o fogo . Julio Cortázar, Editora Cavalo de Ferro, 2015).   

Conto #47 - Clínica de repouso (Dalton Trevisan, Brasil, 1979)

Outro conto que explora as relações familiares, a infelicidade e o envelhecimento (assim como Feliz Aniversário , da Clarice Lispector). Pessimista no sentido que parece não haver alternativas razoáveis  para o envelhecer. (Onde ler: Contos Brasileiros Contemporâneos , Dalton Trevisan e outros, Editora Salamandra, 2005)

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A narrativa sútil de Marquez parece subverter o estranhamento do fantástico, mas será mesmo? Ou será apenas mais uma ferramenta? Enfim, num conto de pouquíssimas páginas, o autor desconstrói o fantástico numa trama simples, que lembra um relato de viagem, e na própria descrição do antigo castelo (supostamente mal assombrado), cuja a arquitetura antiga foi toda modificada. Mas lá no fundo, num quarto escuro, nada foi mexido. (Onde ler:  Doze Contos Peregrinos , Gabriel García Márquez, Editora Record, 2008)