Curioso que para uma autora cuja marca são personagens sofridos e enredos um tanto pessimistas, o seu conto mais famoso tenha um final brilhante e extremamente feliz. Não que a personagem do conto não sofra, mas é do sofrimento que se extraí a felicidade.
(Onde ler: Felicidade Clandestina, Clarice Lispector, Editora Rocco, 1998)
Aqui, a força motriz do estranhamento de Cortázar não subutiliza o rompimento da ordem natural, ou seja, não há criaturas mágicas, desordem fantasiosa ou mundos imaginários. O realismo fantástico está na obsessão aparentemente sem motivo do personagem por uma pequena ilha grega cuja forma lembra uma tartaruga. Mas o desfecho, embora ainda mantenha a verosimilhança, sugere que talvez nossas vidas não sejam simplesmente regidas pelo "acaso". A sensação após a leitura do conto é de uma obra cuja narrativa é completa, sem arestas, sem irregularidades, (Onde ler: Todos os fogos o fogo . Julio Cortázar, Editora Cavalo de Ferro, 2015).

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